Aprofundamento do Tema


 “”Rabi, mostre-nos o Pai, e isso será o suficiente para nós” (Jo 14:8). Esse foi um desejo sincero de Filipe e dos demais talmidim (discípulos),bem como de todo judeu que ouvira falar da forma com o Eterno falava com os patriarcas e profetas.

Moisés e a Sarça Ardente.png
Em Shemot 33:1-23, Moshe conversa com HaShem e diz que sem a Sua presença, ele não
continuaria seguindo o caminho. Ele pede ao Eterno que se recorde dos patriarcas e do povo
de Israel e por misericórdia guie o povo com sua presença (v.13). O que Moshe ainda não tinha
entendido, era que o Eterno não precisava se recordar dos patriarcas para amar o Seu povo, HaShem os amava porque os amava e teria misericórdia de quem Ele quisesse.
Rashi comenta: “Chegou o momento em que você verá algo de Minha glória que lhe permitirei ver, porque quero e preciso lhe ensinar a ordem da oração. Porque quando você teve que pedir misericórdia em favor de Israel, você me pediu para lembrar o mérito dos Patriarcas.
Você pensa que se o mérito dos Patriarcas se esgotar, não haverá mais nenhuma esperança.
Portanto, farei passar todo atributo da Minha bondade diante de você sobre a rocha enquanto
estiver escondido na caverna.”

(a) O Eterno naquele momento demostrara a Moshe, o que muitos até os dias de hoje ainda
não entenderam. Muitos fazem uma dicotomia entre o D’us do passado e o D’us da Nova Aliança, atribuindo aos tempos antigos um D’us mal e aos tempos modernos um D’us misericordioso.
HaShem aqui revela-se o mesmo D’us de amor e misericórdia que um dia seria (e foi) revelado pelo Mashiach.
O que Filipe e os demais precisavam entender é que aquele que dera a Torá no Monte Sinai estava diante deles e convivera com eles em forma humana por alguns anos. A escritora Ellen White afirma que “fora o Mashiach que, por entre trovões e relâmpagos, proclamara a Torá no monte Sinai.”

(b) Infelizmente o pensamento pagão e a má influência dos povos politeístas, ao redor de Israel, trouxe ao povo de D’us um medo de misturar-se e praticar idolatria. Todos os dias pela manhã e pela noite proclamamos o Shemá e dizemos para nós e para o mundo que o Eterno é um (echad).
Quando Yeshua veio a Terra e demonstrou ser Elohim, houve um choque no pensamento judaico e tal choque arrasta-se até hoje por declarações dos talmidim e e dos emissários, como em Filipenses 2:5 e 6, quando Shaul diz: “Que a atitude de vocês para com os outros seja governada pela união ao Messias Yeshua: Apesar de ele viver na forma de D’us, não considerou a igualdade com D’us algo a ser mantido pela força (não usurpou ser igual a D’us) ;”
Um olhar exegético voltado para esse texto,  demonstrará mais claramente o que tudo isso tem a ver com o final dos tempos e com nosso Mashiach.
Existe uma possível variação do termo “usurpar” que aprece na tradução Almeida Revistae Atualizada. A palavra grega utilizada é ἁρπαγμός (harpagmós). Ela pode significar usurpar ou desejar fortemente.
Para definir então o significado dessa palavra é necessário seguir um padrão hermenêutico
pré-estabelecido que nos é conhecido: Tudo depende do contexto no qual o termo está inserido.
A expressão ὑπάρχω (huparchó) é traduzida por “subsistindo”. Essa palavra está sendo empregada como um particípio, e como particípio ela pode ter dois significados, em duas formas possíveis: ela pode ser um particípio concessivo ou um particípio causal.
O particípio concessivo indica que algo é feito “a despeito de” e isso significa que não importa
o que aconteça ele não muda. É o que no português chamamos de locução prepositiva, pois exprime oposição a outra ideia apresentada sem ser impeditiva.
Se considerarmos assim, a palavra ὑπάρχω (huparchó) seria traduzido como “embora subsistindo
como D’us” ou “apesar de existir como D’us”. Logo o texto está afirmando categoricamente que Yeshua existe como D’us.
Já o particípio causal, informa a causa para que algo aconteça. Ele estabelece um motivo para o  acontecimento de alguma coisa. Se admitirmos então essa hipótese a tradução mais fiel da palavra ὑπάρχω (huparchó), será “por subsistir como D’us […] é que ” ou “por existir como D’us… é que”. Resumindo o que estamos estudando, chegamos à conclusão que se optarmos por particípio concessivo, a melhor tradução da palavra ἁρπαγμός (harpagmós) é “desejar fortemente”. Por isso, o autor da igueret estaria dizendo que mesmo o Mashiach sendo D’us ou a despeito de ser D’us, não desejou a sua divindade ou não se apegou aos atributos de sua divindade.
Logo, o Mashiach é um ser divino que escolheu esvaziar-se. Ele se transformou em um servo
à despeito de ser divino.Em contrapartida se optarmos por um particípio causativo, a tradução mais fiel da palavra ἁρπαγμός (harpagmós), seria usurpação. Mais uma vez temos ao nosso lado o termo grego,
visto que o shaliach estaria nos dizendo que “por existir como D’us é que não usurpou ser como D’us, visto que não é possível usurpar ou roubar algo que já se é dono”. O texto abordado pela Beth Midrash desta semana é um dos textos mais bonitos sobre a divindade do Mashiach. David Stern no seu comentário Judaico da Brit Hadashá afirma: A pré-existência do Mashiach era um conceito familiar no judaísmo rabínico (Jn 1:1-18&NN). O tanach fornece base mais do que suficiente quanto a essa passagem, em seu material acerca de Adam (Gn 2:4
-3:22) e do Servo sofredor de Adonai (Is 52: 13; 53:12)(c).
Yeshua passou muitos anos na Terra demonstrando os atributos divinos expressos em seu caráter. Ao concluir sua estadia em nosso planeta, chegou o momento de Sua ascensão, mas antes de voltar ao céu, fez uma promessa de enviar o Ruach HaKodesh.

pomba
O texto de Yochanan 14:16 nos mostra essa linda promessa: “e pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Conselheiro consolador, semelhante a mim, o Espírito da verdade, para estar com vocês para sempre.” Yeshua apesar de ter que ir para o Mikdash (Santuário), a fim de  continuar seu seviço expiatório, demonstrou Seu amor intenso enviando o Ruach HaKodesh. Esse texto
ainda os dá um detalhe expressivo acerca da natureza do Espírito Sagrado e sua divindade na expressão grega utilizada para referir-se à Ele.

O termo “outro consolador” em grego é ἄλλον παράκλητον (allos paraklétos). Existem duas palavras em grego que são traduzidas como “outro”, heteros e allos. Porque Yeshua usou o termo Allos e não Heteros?
Muitos léxicos e gramáticas gregas afirmam que allos significa “outro da mesma espécie”, em contraste com héteros, que significa “outro de espécie diferente”.
O texto de Isaias 45:21 diz na Septuaginta: “εγω ο θεος και ουκ εστιν αλλος πλην εμου (egw o qeov kai ouk estin allos plhn emou)”. Mais uma vez aparece o termo allos, quando o Eterno diz: “ Eu sou o Eterno e não há outro como eu”.
O que Yeshua estava querendo dizer nesse texto é que não existe nenhum outro ser que seja como o Elohim. O Eterno, Yeshua e o Ruach HaKodesh são allos. Um, embora distintos, echad.

A demonstração, portanto, do amor do Ruach HaKodesh está em levar as pessoas à yeshuá através da aceitação do sacrifício de Yeshua, guiando-as por toda verdade e as convencendo de toda a verdade.
Temos que ter tudo isso bem claro em nossa mente, pois tais verdades serão fortemente rebatidas no fim dos dias. Visto que a mensagem do primeiro anjo é levar a adoração ao verdadeiro D’us. (Ap 14)
Termino esse comentário com uma linda promessa feita pelo Eterno em Joel 3:1-5 (2:28-32)
“E ocorrerá então que derramarei Meu espírito sobre toda carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos anciãos terão revelações e sonhos, e visões ocorrerão a vossos jovens.
Também sobre vossos escravos e escravas verterei Meu espírito naqueles dias, e mostrarei maravilhas nos céus e na terra, sangue, fogo e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a Lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia determinado pelo Eterno. E todo aquele que invocar o Nome do Eterno será salvo.”
Conhecendo verdadeiramente o D’us de Israel, o nosso Mashiach e o Ruach HaKodesh, é possível nos desviarmos dos enganos propostos por hasatan nos últimos e assim ter a certeza da yeshuá. Cada pessoa da Divindade está desempenhando fielmente seu papel em prol da salvação do ser humano.

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