Ahavato shel Ruach Hakodesh*


O Espírito Sagrado tem sido mal interpretado, quase tanto quanto Elohim Haav.

            Quando entramos no território sagrado da natureza de D’us devemos levar conosco a consciência de que somos meras criaturas finitas e falíveis tentando discutir o Infinito.

            Em relação a quem D’us realmente é, conhecemos muito pouco, por isso falar de D’us é falar de um Ser que transcende nossa experiência de vida e que supera nossa compreensão, estando além de qualquer sistematização do pensamento humano.  D’us é singular e isso O distingue do humano, nunca podemos nos esquecer disto.

            Seríamos tolos se  achássemos que podemos compreender os absolutos divinos de Seu ser, o mais sábio entre nós  deve ficar em silêncio. E, portanto, qualquer modelo de pensamento, exemplo, símiles ou analogia que tente apresentar a natureza de D’us é, inevitavelmente, imprecisa. Na melhor das hipóteses, pode-se pegar alguns lampejos de Sua identidade divina mediante a Sua auto revelação nas Escrituras inspiradas. 

Shekinah

Em Shemuel Bet/II Samuel 23:02  e 03* encontramos a descrição que Davi faz de sua experiência com o “Ruach há Kodesh”:

 “O espírito do Eterno falou em mim, e a Sua palavra está na minha língua. Disse o Deus de Israel, a rocha de Israel falou-me…”

Na Torá, Moshe/Moisés escreveu em Shemot/Êxodo 31:03 a 06 que o Ruach de D’us distribuiu dons espirituais:

            “E fiz com que ficasse repleto do espírito de Deus, em ciência, em inteligência, em saber e em todas as artes, para pensar em obras de mestre, para trabalhar em ouro, em prata e em cobre e na arte de gravar pedras de engaste e na arte de entalhar madeiras para fazer toda obra. E Eu, eis que designei… pus ciência, e farão tudo que te ordenei…” (Veja também Yeshaiáhu/Isaías 11:01 e 02, 61:01 e 02)

pomba

            Dentro desta análise das Escrituras nos parece que o “Ruach” dependendo do contexto transmite uma ideia diferente de “fôlego, alento” e “entendimento, coração”

            Ainda…

            “E o Eterno apareceu na nuvem e falou-lhe; e tirou do espírito que estava sobre ele e o pôs sobre os setenta homens, anciãos; e assim que pousou sobre eles o espírito, profetizaram naquele dia, e depois nunca mais. ” Bamidbar/Números 11:25

                   O Espírito do Eterno “pousou”, o que coincide com a ideia do Espírito ou Shekinah do Eterno simbolizado por uma pomba*.

            Aqui o Ruach que estava sobre o Eterno, não era “sopro ou entendimento, vontade, coração”, mas saiu de D’us e foi colocado sobre os homens.

            Vejamos ainda outro exemplo da Torá:

            “E Bilam levantou seus olhos e viu Israel acampado por tribos; e veio sobre ele o espírito de Deus. E proferiu sua parábola e disse: ‘Palavras de Bilam ben Beor, e palavras do homem de olho aberto. Palavras daquele que ouve os ditos de Deus, que vê a visão do Todo-poderoso…” Bamidbar/Números 24:03 e 04.

            Nos parece que Bilam entrava em visão de olhos abertos, ao contrário dos médiuns espíritas, porém, o notório é que ele ouvia o Ruach há Kodesh, ouvia os ditos de D’us e contava suas parábolas.

            No livro do profeta Iehezkel/Ezequiel, o Ruach teve uma performance bem destacada. Neste livro ele aparece diversas vezes, veja por exemplo 03:12,22-24, 8:01-05, 11:01,24, 37:01 e 02.

            Que é esse “espírito” que sempre atua tão diretamente sobre os profetas?

            No capítulo 11:5 ele é designado de “espírito do Eterno” e no capítulo 36:27 é dito “Meu espírito”, assim também no 37:14, já nos capítulos 01:03, 03:14,22, 33:22, 37:01, 40:01 o espírito do Eterno é chamado de “mão do Eterno”, tão mais interessante é no capítulo 8:01 a 05:

            “…a mão do Eterno Deus pousou sobre mim. Observei e percebi algo que se assemelhava ao fogo; de seu meio para cima parecia fogo e de seu meio para baixo era resplandecente como o cobre em fusão. E estendeu para mim uma forma de uma mão e me segurou por um cacho de cabelo; e um espírito me levantouentre a terra e o céu… e me trouxe a Jerusalém…ali estava a glória do Deus de Israel…”

            Interessante que na visão ele parece ter visto uma silhueta de um ser glorioso que estendeu uma semelhança de mão, segurou pelos cabelos e o trouxe até Jerusalém para ver a glória do D’us de Israel, a mão do Eterno que o segurou era a mão do Ruach que o levantou, lembra o ensinamento de alguns sábios judeus que ensinavam sobre um ser de luz que entra em contato com o homem representando a “Shechiná” divina.

santidade

Santo

Em Ieshaiáhu/Isaías 06:03 os serafins de seis asas e que estavam na presença de Hashem clamavam um ao outro:

“Santo, Santo, Santo é o Eterno dos Exércitos; Sua glória envolve o mundo inteiro.”

            Naturalmente que o “Ruach” é Santo!

            O rei David em sua confissão do pecado de adultério e assassinato faz um apelo sentido:

            “Não me afastes da Tua presença, nem retires de mim o espírito da Tua santidade.” Tehillim/Salmo 51:13 

            O rei inspirado faz um paralelismo característico da literatura hebraica, “afastes” X “retires” e “Tua presença” X “espírito da Tua santidade”.

            É encontrado também um paralelo entre o “Ruach” e o “Shechiná” a presença divina que se manifestava no Tabernáculo no deserto e no primeiro Templo, onde pombas jovens e rolas eram as únicas aves oferecidas nos sacrifícios, tornando-se a pomba na tradição judaica como a imagem da Presença Divina, ou “Shechiná” o “Ruach há Kodesh”.

            Sendo assim D’us habitava com Seu “Ruach” tanto na Terra Prometida em Seu Tabernáculo como habita, nos crentes, os templos vivos espalhados em seu exilio após o primeiro século da era comum.

            Segundo a tradição judaica o pecado contra o “Ruach”, principalmente o pecado do orgulho afasta a “Shechiná”, a presença da santidade divina o “Ruach há Kodesh”.

            Qual conclusão que podemos chegar comparando estes três usos da palavra “Ruach”?

            Bem, primeiro que o Ruach humano pode ser entendido em duas formas, como fôlego, alento e respiração e a segunda como mente, entendimento, coração.

            Já o “Ruach há Kodesh” é diferente do “Ruach” humano, o fôlego de vida ou entendimento e emoções, pois, Sua atuação consiste nas seguintes atividades divinas:

  1. O “Ruach” falava através dos profetas como falou através de Davi.

  2. O “Ruach” distribui dons como na construção do Tabernáculo, etc.

  3. Em diversas ocasiões o “Ruach” habitou, pousou, esteve sobre as pessoas capacitando-as a realizar uma grande obra e vencer desafios.

  4. O “Ruach” ministra através de parábolas exortativas, ensinacom maestria.

  5. Ele é designado por “Espírito do Eterno”, “Meu Espírito”, “Mão do Eterno”, “Santo Espírito”.

  6. E finalmente o “Ruach” é chamado de Espírito Santo, “Ruach há Kodesh”, sedimentando sua total singularidade e mantendo totalmente distinto do “Ruach” humano que é apenas fôlego, alento ou entendimento, coração.

  7. O “Ruach há Kodesh” representa a atividade de D’us na Terra, normalmente é sinônimo para o próprio D’us. 

    O Mashiach e o Ruach há Kodesh sairam do Eterno, e estão com Ele, distintos, mas indivisíveis, echad.

              “A natureza do Ruach há Kodesh é um mistério. Os homens não a podem explicar, porque o Eterno não lho revelou. Com fantasiosos pontos de vista, podem-se reunir passagens da Escritura e dar-lhes um significado humano; mas a aceitação desses pontos de vista não fortalecerá a kehilá. Com relação a tais mistérios – demasiado profundos para o entendimento humano – o silêncio é ouro” (AA, contextualizado p. 52).

*Neste artigo utilizado a Bíblia Hebraica Sêfer.

*O amor do Ruach Hakodesh

*Usa-se a pomba como imagem da Presença Divina, ou Shechiná. Fonte: Dicionário Judaico de Lendas e Tradições. Jorge Zahar Editor.

*Para maiores detalhes sobre o significado de “espirito” como fôlego ou entendimento acesse:

https://herancajudaica.wordpress.com/2016/05/27/ruach-ha-kodesh-espirito-santo/

 

https://herancajudaica.wordpress.com/2018/05/24/beit-hamikdash-o-corpo-como-templo-do-espirito-santo/

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