Aprofundamento do Tema


O Santuário tinha como objetivo ser o centro da Adoração de todo o povo. Não obstante, o Eterno pediu ao povo que fizesse o Mikdash no meio do arraial, pois Ele seria o centro da vida e da existência daquele povo.
Por muitas vezes o santuário tem sido considerado como a “casa de D’us”, mas essa expressão deve ser tomada como figura de linguagem, visto que o Eterno não é restrito a nenhum lugar. O Midrash diz que D’us é o lugar do Universo, isto é, o mundo está dentro de Dele, mas o mundo não é seu lugar, logo o mundo não abrange a complexidade de quem é o Eterno. [Tanchuma, Bereshit Rabá 68:9].

 

 

O Rei Shlomo declara: “Mas, porventura habitaria D’us na terra? Eis que os céus, e até o céu dos céus, não podem Te conter, quanto menos esta casa que eu construí!” (1 Rs 8:27)
O que estamos dizendo é que o Mikdash da Terra era uma sombra do mikdash do Céu e tinha um objetivo pedagógico de encenar o grandioso plano da redenção que o Mashiach viria desempenhar.
Rabi Josué Dessihnin tenta explicar de que maneira o Eterno estaria numa morada terrestre e finita e ao mesmo tempo estaria na regência de todo o universo. Fez, portanto, uma bonita analogia com uma caverna à beira da praia. As ondas entram na caverna e ela se enche; contudo isto não faz diminuir o mar. O mesmo vale para a Glória de D’us (Nm 12:4).
O santuário era evidentemente uma pequena demonstração da grandiosidade do amor e
do poder perdoador do nosso D’us. Cada cerimônia, festividade e sacrifício que ali acontecia, apontavam para a vinda do Mashiach à essa Terra a fim de realizar o plano da redenção.

Santuário Ofertas Queimdas
Dos diversos tipos de ofertas, quero comentar apenas sobre dois tipos de cerimônias sacrificais que aconteciam naquele local sagrado, que apontavam para o perdão dos pecados de Israel. Uma era o sacrifício contínuo que acontecia todas as manhãs e tardes em prol de todo o povo e a segunda era o sacrifício pessoal que servia para cada penitente que sentia necessidade.
O sacrifício diário era constante e em favor de todas as pessoas que fizessem parte do povo.
Onde estivessem, no momento do sacrifício deveriam parar e se voltar em reverencia para o Santuário como uma recordação de que tudo aquilo que estava acontecendo era a resposta para a consequência de seu próprio pecado.

 

 

Já o sacrifício pessoal era quando o penitente precisava estar arrependido e pessoalmente no momento da morte do animal, imaginando que tudo aquilo que estava acontecendo ao animal, deveria estar  acontecendo à si mesmo, por causa do seu pecado. Tudo isso era uma pequena demonstração do que o Mashiach sofreria.
Yochanan 1:29 é uma declaração clara de que Yeshua é o cordeiro de D’us que tira o pecado do mundo e o sacrifício supremo que encerra as atividades no santuário da terra para dar início a inauguração do Santuário do Céu.

 

 

 

De fato, Yeshua é o grande cordeiro sem defeito e sem mácula que veio morrer em favor do mundo, para que todo aquele que nele confia possa ter vida eterna. (Jo 3:16) Quando pensamos no sacrifício de Yeshua, somos mentalmente transportados à história da vida de Yitschac e Avraham. O Eterno pede a vida de Yitschac como um sacrifício ofertado pelo pai. Avraham tinha esperado esse filho por muitos anos e sua entrega seria a maior demonstração de emuná que poderia realizar.
Essa história é apenas mais uma demonstração tipológica da morte do Mashiach. O único filho de um pai, que iria mudo ao matadouro em obediência.

 

 

Mas o final da história de Yitschac é uma profecia messiânica, quando o anjo anuncia: Deus proverá para si o cordeiro. Essa era uma alusão profética, visto que quando o nosso povo foi liberto do Egito, o Eterno consagrou para si os primogênitos do povo e dos animais, logo, todo cordeiro que era sacrificado no
santuário era do rebanho de D’us. O Eterno não precisa do homem para realizar o plano da salvação, Ele provê para si o cordeiro. O Eterno envio o Mashiach para morrer em nosso lugar.
Nossa contribuição no plano da yeshuá é com o pecado.
No serviço do Santuário, Yeshua é simbolizado por quase todos os móveis, mas em realidade tudo no santuário aponta para o Mashiach: o sacrifício, os pães, o Cohen (sacerdote), o Cohen Gadol (sumo sacerdote). Por isso no período que esteve na Terra, Ele cumpriu o seu objetivo como sacrifício e ascendeu ao céu a fim de começar o serviço como Cohen e a partir de do Yom Kipur de 1844 (5605), como Cohen haGadol.
Hebreus 9:11 afirma que Yeshua é nosso Cohen Gadol e essa função foi assumida por Ele em 1844 quando iniciou o Yom Kipur no santuário do Céu. Quando o juízo foi instaurado no Santo dos Santos a fim de trazer à tona a expiação do pecado da humanidade.

 

 

No dia de Yom Kipur, ficavam no pátio, separados dois bodes, e era lançada sorte sobre eles, para saber qual seria para a purificação do santuário e qual seria o emissário/Azazel (Hasatan).
Então, o sumo sacerdote sacrificava o bode para o Eterno, o bode da expiação, e coletava seu sangue. Vale ressaltar que sobre esse bode não se fazia a imposição das mãos, portanto, não era transferido pecado para ele, assim, esse sangue não estava contaminado e servia para purificar o santuário. Esse sangue representava o sangue que Yeshua derramaria para nos
perdoar e purificar.
O Cohen Gadol (sumo sacerdote) tomava o sangue do bode e entrava no lugar Santo dos Santos, fazendo expiação pelos pecados do povo que ainda estavam registrados no santuário.
A expiação era feita aspergindo com o dedo um pouquinho de sangue para o oriente. Dessa forma, o lugar santíssimo estava purificado. Então o sumo sacerdote saía do Santo dos Santo se ia para o lugar santo e ali fazia o mesmo, purificando essa parte. Saía do lugar santo e fazia o mesmo sobre o altar externo, e ao finalizar essa parte, todo o santuário estava purificado, e o povo também.

 

 

Em seguida, o sumo sacerdote tomava o bode Azazel*, o bode vivo, e impondo as mãos sobre a sua cabeça, confessava (transferia) todos os pecados de Israel daquele ano. Assim os pecados já expiados pelo sacrifício do primeiro bode eram devolvidos a sua fonte de origem, não havia novo sacrificio. Lá, esse bode morria em sofrimento e com ele eram consumidos aqueles pecados para sempre. Esse bode representava hasatan, que será castigado no final dos tempos e com ele se consumirão os pecados de todos os seres que foram salvos. Portanto, Satan tem sua parte de responsabilidade sobre todos a quem instigou a cometer pecado.

Agora que temos bem claro na nossa mente o processo de purificação do santuário da Terra, vamos entender o cumprimento dessa cerimônia no santuário do Céu. O Profeta Daniel no capítulo 8:14 nos diz: “… Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado” mas quando escreveu este texto inspirado, não estava se referindo ao santuário da Terra e sim ao santuário do Céu. Se utilizarmos o princípio de interpretação profética dia-ano, veremos que tratam-se aqui de 2.300 anos que se iniciaram no ano 457 e.c. com o decreto de Artaxerxes.
Essa profecia nos leva ao ano de 1844 (5605), quando o Mashiach assume a função de Cohen Gadol no santuário do Céu e inicia o processo de purificação do mesmo, com o Juízo Investigativo, ou pré-advento.

sacrificio II
Yeshua é o cordeiro de D’us Aquele que tira o pecado do mundo! (Jo 1:29) e através de seu sacrifício sem pecado, purifica o santuário. A morte de Yeshua no madeiro garante ao pecador que no momento em que se arrepender e confessar, seus pecados serão depositados no santuário do Céu, para que no momento que Ele (Yeshua) sair do mikdash, por ocasião de sua volta à Terra, deposite sobre Satan a culpa do seu pecado.
Por isso: “D’us o elevou ao lugar mais alto e lhe deu o nome acima de todo nome, para que, em honra ao nome dado a Yeshua, todo joelho se dobre no céu, na terra e debaixo da terra” (Fl 2:9-10).

 

*AZAZEL

“… o vocábulo Azazel é um nome próprio no original, sendo particularmente o nome de um poderoso espírito ou demônio”. A. R. S. Kennedy, Hasting’s Dictionary of the Bible, p. 77.

“Um espírito mau, que as pessoas supunham habitar no deserto. Essa palavra ocorre apenas aqui no Antigo Testamento… A tradução bode emissário, procedente de Símaco por intermédio de Jerônimo, certamente é incorreta; não concorda como verso 26, e implica uma derivação que se opõe à natureza da língua hebraica, como se Azazel fosse uma palavra composta… Além disso, a acentuada antítese entre PARA Azazel e PARA Jhvh não deixa dúvidas de que o primeiro encerra a ideia de um ser pessoal”. Book of Leviticus, p. 81

“Não resta dúvida alguma de que Azazel é um ser pessoal, sobre-humano e maligno – em realidade, um demônio perverso… Isso foi confirmado por antigos escritores cristãos, que identificam Azazel com Satanás (Orígenes, Contra Celso V1 43, p. 305, ed. Spencer; Irineu, Contra heresias I. 12; Epifânio, Heresias XXXIV. 11), e por muitos eruditos posteriores e modernos” (A Historical and Critical Commentary on the Old Testament, v. 2, p. 328,329). International Standard Bible Encyclopedia: “Pelo emprego da mesma preposição… no tocante a Jeová e a Azazel, parece natural… deduzir algum ser pessoal” (“Azazel”, v. 1, p. 343), etc. etc. etc.

 

Fonte Judaica:

“Dois bodes idênticos eram selecionados para o ritual. Um era escolhido, por sorteio, como oferenda a D’us, e o outro era enviado para Azazel, no deserto, para ser lançado de um penhasco…embora a palavra Azazel possa se referir a um lugar, ou ao bode, também foi explicada como sendo o nome de um demônio. os pecados de Israel estariam, pois, sendo devolvidos à sua fonte de impureza….Azazel é também o nome de um anjo caído.”

Dicionário Judaico de Lendas e Tradições, Alan Unterman, Jorge Zahar Editor.

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