Kindertransport: sobrevivente de 81 anos de idade refaz a jornada para fora da Alemanha nazista



“A mensagem é que os países deveriam abrir as portas e não fechá-los aos refugiados”, enfatizou.

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Paul Alexander era apenas um bebê, quando sua mãe o entregou a uma enfermeira voluntária, em um trem que deixava a Alemanha nazista em 1939.

“Eu fui mandado embora, colocado nos braços de uma enfermeira e levado para Londres. Eu nasci de novo. Tive a chance de ter uma nova vida em Londres”, disse Alexander a i24NEWS.

Agora, com 81 anos, o ex-refugiado vai refazer a jornada rumo à liberdade, mas desta vez de bicicleta, como parte de um passeio comemorativo para homenagear o Kindertransport, que salvou ele e milhares de crianças judias, oito décadas atrás.

“Foi uma experiência imensamente emocional”, disse sobre a viagem de bicicleta de mil quilômetros, que fez com seu filho de 34 anos e com um neto de 15.

Além do trio, outros 39 ciclistas participaram da jornada de seis dias, que os levou da Friedrichstrasse, em Berlim, até a Liverpool Street, em Londres, via Holanda, a bordo de uma balsa noturna.

Alguns são descendentes de crianças resgatadas há 80 anos, enquanto outros estão circulando em memória dos fugitivos, na corrida para arrecadação de fundos, iniciada pelo World Jewish Relief, uma organização humanitária, criada a partir da agência que realizou os esforços de resgate.

“Organizamos este passeio como uma homenagem ao incrível trabalho de salvar vidas de nossos antepassados”, disse Rafi Cooper, diretor de comunicações da instituição, que mantém registros históricos do período.

“Dezenas de milhares de pessoas não estariam vivas hoje, se não fosse pelo heroísmo”.

Ben Kalmar / Embaixada Britânica em Israel
Príncipe William no Museu do Holocausto, Yad Vashem em Jerusalém.


Embaixada Britânica em Israel

Depois de completar a corrida, Alexander se encontrou com o príncipe William, em Jerusalém, no Museu do Holocausto, Yad Vashem, durante a primeira visita oficial de um rei real a Israel.

“Eu sempre quis expressar minha profunda gratidão, obviamente, aos meus pais por tomar a decisão de me mandar embora, mas também ao povo britânico por ter aberto suas portas e ter me aceitado na Inglaterra”, disse ele.

Ele agradeceu ao príncipe em uma expressão de gratidão à nação britânica por deixá-lo entrar no início da Primeira Guerra Mundial e “aceitar todos os outros refugiados que entraram”.

“A mensagem que o Kindertransport nos dá, é que os países deveriam abrir as portas e não fechá-los aos refugiados”, enfatizou Alexander.

Uma decisão difícil

Após os pogroms da Noite dos Cristais (Kristallnacht), em 09 de novembro de 1938, um grupo de líderes protestantes, judeus e Quaker, apelou ao então primeiro-ministro britânico. Neville Chamberlain para permitir que crianças judias desacompanhadas entrassem em Londres. Um esforço de resgate se mobilizou rapidamente e o primeiro Kindertransport chegou a Harwich, em 02 de dezembro de 1938, carregando 196 crianças de um orfanato judeu de Berlim, que havia sido incendiado pelos nazistas na Kristallnacht.

Ao longo de 18 meses, 10.000 crianças fugindo da perseguição na Alemanha, Áustria, Polônia e na então Tchecoslováquia, foram trazidas para a Grã-Bretanha. As crianças mais jovens foram colocadas com as famílias, enquanto aquelas com mais de 16 anos receberam ajuda para obter treinamento e emprego.

O último transporte saiu do porto holandês de Ymuiden, em 14 de maio de 1940, um dia antes da rendição dos Países Baixos.

Para muitos pais, deixar seus filhos com estranhos, sem saber se eles se o veriam novamente, não era uma decisão fácil.

Passeio simbólico da vitória

A mãe de Alexander, que sofreu perdeu dois filhos antes, estava angustiada sobre o que fazer com o seu único filho.
“Foi uma decisão angustiante para ela, não só porque perdeu um filho único, mas porque ela já havia perdido dois antes de mim”, disse ele à iNEWS.

O que eles não sabiam é que ambos os pais logo se juntariam a ele em segurança. Seu pai chegou à Inglaterra 13 dias depois dele e de sua mãe, em 1º de setembro de 1939, o dia em que os nazistas invadiram a Polônia e lançaram a Segunda Guerra Mundial. A família finalmente se reuniu, tendo todos escapado do Holocausto, em que seis milhões de judeus foram mortos.

O próprio Alexandre, mais tarde, se formou como advogado e se casou com uma israelense, que morava em Londres. Eles têm três filhos e nove netos e vivem em Israel.

O jovem de 81 anos aposentou-se do banco onde trabalhou como consultor jurídico em 2002, mas ainda hoje trabalha como consultor.

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