Bioética e o Direito a Vida Animal – Uma Perspectiva Bíblica              


Ética é o nome dado ao ramo da filosofia dedicado aos assuntos morais. A palavra ética é derivada do grego, e significa aquilo que pertence ao caráter,[1]” e está relacionado ao comportamento profissional das diversas classes de trabalhadores.

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Já a bioética envolve uma série de áreas, como a biologia, a psicologia, sociologia, filosofia, teologia, direito, antropologia e ecologia, todas analisam a bioética conforme seus conhecimentos, valores e pressupostas.

“A bioética tem a função de assegurar o bem-estar das pessoas, garantindo e evitando possíveis danos que possam ocorrer aos seus interesses. O dever da bioética é proporcionar ao profissional e aos que são atendidos por ele, o direito ao respeito e a vontade, respeitado suas crenças e os valores de cada indivíduo[2]”.

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Em relação a vida animal teria a função de assegurar o bem-estar dos animais sejam eles força de trabalho, criação doméstica ou utilização em laboratórios como cobaias.

A Bíblia e a Vida Animal

A Bíblia não discute a origem da vida, ela parte da revelação de que existe um Criador, um designer divino de onde se origina toda a vida, o que pode ser visto da inteireza, interdependência, planejamento, matemática e sinergia que a natureza demonstra:

 “Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos. Um dia fala disso a outro dia; uma noite o revela a outra noite. Sem discurso nem palavras, não se ouve a sua voz. Mas a sua voz ressoa por toda a terra, e as suas palavras, até os confins do mundo”. (Salmos 19:1-4)

A Palavra Criadora

Disse também Deus:

“Encham-se as águas de seres vivos, e sobre a terra voem aves sob o firmamento do céu”. Assim Deus criou os grandes animais aquáticos e os demais seres vivos que povoam as águas, de acordo com as suas espécies; e todas as aves, de acordo com as suas espécies. E Deus viu que ficou bom.

Criação AdventismoEntão Deus os abençoou, dizendo: “Sejam férteis e multipliquem-se! Encham as águas dos mares! E multipliquem-se as aves na terra”.

Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o quinto dia.

E disse Deus: “Produza a terra seres vivos de acordo com as suas espécies: rebanhos domésticos, animais selvagens e os demais seres vivos da terra, cada um de acordo com a sua espécie”. E assim foi.

Deus fez os animais selvagens de acordo com as suas espécies, os rebanhos domésticos de acordo com as suas espécies, e os demais seres vivos da terra de acordo com as suas espécies. E Deus viu que ficou bom. (Gênesis 1:20-25)

“Ó Senhor, quão variadas são as tuas obras! Todas as coisas fizeste com sabedoria; cheia está a terra das tuas riquezas. Assim é este mar grande e muito espaçoso, onde há seres sem número, animais pequenos e grandes. Ali andam os navios; e o leviatã que formaste para nele folgar. Todos esperam de ti, que lhes dês o seu sustento em tempo oportuno. Dando-lhe tu, eles o recolhem; abres a tua mão, e se enchem de bens. (Salmo 104:24-28)

Da Relação do Homem com Deus e a Vida Animal surge a Biótica na Bíblia

Adão e Eva, foram criados “à imagem de Deus”. Eram capazes de refletir a personalidade de seu Criador; pensar, amar, ter emoções, manter relacionamentos, ter consciência de si mesmo e livre arbítrio. (Gênesis 1:27)

criação do homem e da mulherO homem se tornou coparticipante nos cuidados com os animais, o Criador repartiu com ele o privilégio divino de estar sobre eles.  O Criador partilhou com o ser humano a Sua autoridade. Deus havia falado e tudo se fizera. Ele chamou o “dia” e a “noite”, agora, delegara ao homem “falar” para dar nome aos animais. Ao homem como representante do Criador caberia gerenciar o planeta e a vida nele.

“Depois que formou da terra todos os animais do campo e todas as aves do céu, o Senhor Deus os trouxe ao homem para ver como este lhes chamaria; e o nome que o homem desse a cada ser vivo, esse seria o seu nome”. (Gênesis 2:19)

criação dias.jpgTodas as criaturas, da menor à maior, receberam os cuidados amorosos do Criador. Ele as criou “instintivamente sábias”, e tomou medidas para que se desenvolvessem bem em um habitat perfeito regido por leis naturais que hoje desconhecemos.

Mas isso não dava aos humanos o direito de exercer autoridade sobre os animais sem levar em conta o propósito do Criador, e a própria maneira como Ele os tratou.

Deus se importa?

Infelizmente, nossos primeiros pais se rebelaram contra seu Criador e surge a desarmonia do pecado que deixa instável toda a Criação no planeta Terra.

Sua pretensa liberdade de Deus, isto é, eles desejaram ser iguais a Deus no conhecimento do bem e do mal e suspeitaram de Suas intenções, acabou por fazer de si mesmos um “deus”, isto é, sem ninguém acima deles a não ser a si mesmos, trazendo danosas consequências para a humanidade que estava nascendo e para todas as outras formas de vida. .

“Sabemos que toda a natureza criada geme até agora, como em dores de parto”. (Romanos 8:22) afirmou Paulo milênios depois.

Mas o Criador deixou claro como os animais deveriam ser tratados no ambiente hostil do pecado que resultaria na crueldade pré-diluviana.

Alterações na Natureza, Juízo Divino e a Relação com a Vida Animal

“Então Deus lembrou-se de Noé e de todos os animais selvagens e rebanhos domésticos que estavam com ele na arca, e enviou então um vento sobre a terra, e as águas começaram a baixar… (Gênesis 8:1)

diluvio 4Todos os animais da terra tremerão de medo diante de vocês: os animais selvagens, as aves do céu, as criaturas que se movem rente ao chão e os peixes do mar; eles estão entregues em suas mãos. Tudo o que vive e se move lhes servirá de alimento. Assim como lhes dei os vegetais, agora lhes dou todas as coisas.” Mas não comam carne com sangue, que é vida. (Gênesis 9:2-4).

O motivo mais óbvio para a mudança na dieta humana foi a falta de alimentos de origem vegetal para compor as refeições dos homens naquela contingencia diluviana, um segundo motivo talvez fosse o controle populacional de animais tidos como domésticos levando em conta que já entre os animais selvagens se havia estabelecido, entre algumas espécies, a caça predatória para sobrevivência.

E um terceiro motivo foi, ao que parece, com a entrada do pecado ocorreu o que os criacionistas chamam de “involução”, houve uma perda de informação, desativação de genes e coisas do tipo. “Os fatos sempre apontam para a “evolução negativa”, ou seja, perda de estatura, capacidades e complexidade[3].”

É importante notar, que mesmo nos dias de Noé, o patriarca tinha conhecimento do que eram os alimentos tidos como limpos e imundos:

“Leve com você sete casais de cada espécie de animal puro, macho e fêmea, e um casal de cada espécie de animal impuro, macho e fêmea, (Gênesis 7:2)

Subentende-se, pelo contexto geral das Escrituras, que esta distinção também era utilizada nos ritos de sacrifício primitivos desde a saída do Éden[4].

animaisApós o dilúvio, certamente, os animais limpos é que foram dados como parte da dieta humana naquela situação caótica que passava o mundo, a expressão “todo” está ligada aos animais domésticos, pois, muitas das espécies são tóxicas a alimentação humana[5], o que estaria de acordo com o bom senso dos patriarcas.

Direitos Trabalhistas dos Animais?

Vivemos em uma sociedade aonde os direitos estão em voga beneficiando minorias de todos os tipos. A Bíblia não apresenta a vida animal destituída de valor aonde uma espécie superior pode exercer domínio sem limites e com crueldade.

Resultado de imagem para animal de cargaOs animais ao serviço do homem devem ser alimentados e ter seus direitos “trabalhistas”, por assim dizer, mínimos garantidos:

A Bíblia diz: “O justo cuida bem dos seus rebanhos, mas até os atos mais bondosos dos ímpios são cruéis. ” — (Provérbios 12:10).

Deus, até mesmo, deu a Seu povo leis para proteger os animais. A provisão do sábado — o sétimo dia — provia a oportunidade de descanso e refrigério não só aos homens, mas também a seus animais que trabalhavam em sua propriedade.

Sabado

“Em seis dias façam os seus trabalhos, mas no sétimo não trabalhem, para que o seu boi e o seu jumento possam descansar, e o seu escravo e o estrangeiro renovem as forças. (Êxodo 23:12)

Uma alimentação saudável e constante deveria ser garantida:

“Não atarás a boca ao boi, quando trilhar. ” (Deuteronômio 25:4)

Resultado de imagem para boi e jumentoEra proibido colocar um boi e um jumento sob o mesmo jugo, ou canga, evitando prejudicar os animais.

“Com boi e com jumento não lavrarás juntamente”. (Deuteronômio 22:10), o foco aqui parece que o jugo desigual traria danos ao mais fraco e com o tempo a ambos animais. Deus estabeleceu limites para o uso da força animal enquanto trabalhava para que os animais não transportassem cargas muito pesadas:

“Se vires o jumento, daquele que te odeia, caído debaixo da sua carga, deixarás, pois, de ajudá-lo? Certamente o ajudarás a levantá-lo.” (Êxodo 23:5)

Independente das relações humanas amigáveis ou não, a vida animal tinha prioridade no tratamento emergencial, a desavença humana não era desculpa para a omissão de socorro.

É notável que no próprio ensino de Jesus em relação a guarda do sábado ele reconheça o direito do animal em ser socorrido quando em perigo:

“E respondendo-lhes disse: Qual será de vós o que, caindo-lhe num poço, em dia de sábado, o jumento ou o boi, o não tire logo? (Lucas 14:5)

Animais Selvagens

A caça predatória, meramente por esporte, além de ser cruel coloca em risco as espécies, na passagem seguinte o Criador parece dar um princípio de como lidar com os animais selvagens:

“Se de caminho encontrares algum ninho de ave, nalguma árvore ou no chão, com passarinhos, ou ovos, e a mãe sobre os passarinhos ou sobre os ovos, não tomarás a mãe com os filhotes… (Deuteronômio 22:6,7). O versículo 7 mostra a preocupação de Deus com a preservação das espécies de animais em sua cadeia reprodutiva, a fêmea não pode ser capturada, embora, reconheça o direito do homem em usufruir da vida animal.

Deus valoriza a vida animal ao Se comparar a ela

“Como a águia desperta a sua ninhada, move-se sobre os seus filhos, estende as suas asas, toma-os, e os leva sobre as suas asas, Assim só o Senhor o guiou; e não havia com ele deus estranho. (Deuteronômio 32:11,12),

O próprio Messias se lamentou usando o reino animal como comparação de amor para com a humanidade:

“Ó Jerusalém, Jerusalém, que assassinas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes Eu quis reunir os teus filhos, como a galinha acolhe os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vós não o aceitastes! (Mateus 23:37)

O Profeta que Maltratava os animais

“Porque por três vezes espancaste a tua jumenta? ”[6] “Balaão dera prova do espírito que o dirigia, pelo seu tratamento ao animal. “O justo olha pela vida dos seus animais, mas as misericórdias dos ímpios são cruéis.” Prov. 12:10. Poucos se compenetram, quanto deveriam, da pecaminosidade de maltratar os animais, ou deixá-los sofrer pela negligência. Aquele que criou o homem fez os animais irracionais também, “e as Suas misericórdias são sobre todas as Suas obras”. Sal. 145:9. Os animais foram criados para servirem ao homem, mas este não tem direito de causar-lhes dor com tratamento rude, ou cruel exigência.

Resultado de imagem para jumenta de balaãoÉ por causa do pecado do homem que “toda a criação geme e está juntamente com dores de parto”. Rom. 8:22. O sofrimento e a morte foram assim impostos não somente ao gênero humano, mas aos animais. Certamente, pois, ao homem toca procurar aliviar o peso do sofrimento que sua transgressão acarretou sobre as criaturas de Deus, em vez de aumentá-lo. Aquele que maltrata os animais porque os tem em seu poder, é tão covarde quanto tirano. A disposição para causar dor, quer seja ao nosso semelhante quer aos seres irracionais, é satânica. Muitos não compreendem que sua crueldade haja de ser conhecida, porque os pobres animais mudos não a podem revelar. Mas, se os olhos desses homens pudessem abrir-se como os de Balaão, veriam um anjo de Deus, em pé, como testemunha, para atestar contra eles no tribunal celestial. Um relatório sobe ao Céu, e aproxima-se o dia em que se pronunciará juízo contra os que maltratam as criaturas de Deus[7].”.

Assim, fica claro que a Bíblia ensina que os animais devem ser protegidos, considerados, e beneficiados de compaixão e sem crueldade.

Mesmo em meio a impiedade do homem e a merecida aplicação dos juízos de Deus, encontramos no livro do profeta Jonas uma declaração muito importante do então grande Juiz do Céu e da Terra:

Resultado de imagem para ninive “E não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que estão mais de cento e vinte mil homens que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, e também muitos animais? (Jonas 4:11)

Isso prova que o Criador exerce misericórdia até mesmo para com os animais.

Futuro da vida animal

O próprio Jesus ensinou “que um único pardal não cai ao chão sem o conhecimento de seu Pai.” (Mateus 10:29) Infelizmente nós seres humanos de maneira geral não valorizamos como nossos atos afetam o meio ambiente não somente em relação a vida humana, mas, também a animal.

Como a Bíblia nos ensina, o grande Criador tem planos para uma nova Terra, um novo mundo quando da regeneração de todas as coisas:

“O lobo viverá com o cordeiro, o leopardo se deitará Resultado de imagem para lobo e cordeiro pastarãocom o bode, o bezerro, o leão e o novilho gordo pastarão juntos; e uma criança os guiará.
A vaca se alimentará com o urso, seus filhotes se deitarão juntos, e o leão comerá palha como o boi.

A criancinha brincará perto do esconderijo da cobra, a criança colocará a mão no ninho da víbora. Ninguém fará nenhum mal, nem destruirá coisa alguma em todo o meu santo monte, pois a terra se encherá do conhecimento do Senhor como as águas cobrem o mar. (Isaías 11:6-9)

“Então vi um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra tinham passado; e o mar já não existia. Vi a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, preparada como uma noiva adornada para o seu marido. Ouvi uma forte voz que vinha do trono e dizia:

Nova Jerusalém Olam ha-bá“Agora o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais ele viverá. Eles serão os seus povos; o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou”.

Aquele que estava assentado no trono disse: “Estou fazendo novas todas as coisas! ” E acrescentou: “Escreva isto, pois estas palavras são verdadeiras e dignas de confiança”. (Apocalipse 21:1-5)

Todos aqueles que creem na Bíblia e tenham sob seus cuidados animais domésticos, como força de trabalho, uso na educação ou que trabalham em pesquisas com animais e negligenciam o bem estar dos mesmos, maltratando, negligenciando ou causando dor e sofrimento, enfrentam uma questão ética.

Todos precisam pensar em uma maneira moralmente adequada no trato com os animais sob sua responsabilidade, certamente Deus, o Criador que delegou ao ser humano esse poder requererá isso de cada um. Onde é que tudo isto nos deixa?

‘Embora os seres humanos e os animais sejam bastante diferentes em valor, dignidade e destino e tenham recebido autoridade sobre o reino animal’, essa responsabilidade deveria motivar a cada pessoa a tratar os animais de maneira legítima e com bondade.

 

Wladimir G. de Souza

Revista Virtual da Herança Judaica

[1] https://www.significados.com.br/etica/

[2] https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/medicina/o-que-significa-bioetica/50873

[3] http://www.criacionismo.com.br/2012/03/mamiferos-carnivoros-incapazes-de.html

[4] Veja Gênesis 4:1-3. Etc.

[5] Pesquisa cientifica sobre animais “limpos e imundos”,  https://youtu.be/WLFsQwF7qpY

[6] Números 29:22-33

[7] PP, pág. 442, 443.

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