ESCOLA CRÍTICO-HISTÓRICA DE INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA


Eruditos modernos, liberais e progressistas, seguem o método crítico-histórico de interpretação. É de origem bastante recente, tendo estado em pleno florescimento por apenas cerca de um século. Esses eruditos dominam a maioria das universidades ao redor do mundo. A pesquisa crítico-histórica baseia-se em princípios e pressuposições do método crítico-histórico[1].

manuscrito livro de Isaías

Este método está sob sério ataque de alguns eruditos bíblicos que têm operado dentro do método por anos e que se tornaram muito desiludidos com ele, e de sábios que foram educados no método mas que se voltaram contra ele[2].

Isto não significa que o método não é mais usado. Ele continua sendo o principal método de estudo bíblico em um sentido secular. Atualmente há muitas abordagens adicionais ou alternativas que são usadas ou propostas em várias tentativas de mudar-se para além do criticismo histórico. Entre elas estão métodos tais como estruturalismo, métodos descritivos, hermenêutica dialética, interpretação total, absoluta ou plenária, método de leitura minuciosa, método desconstrutivo, criticismo orientado para o leitor, e assim por diante.

Cada um deles tem suas próprias pressuposições e normas que merecem análise e reação muito cuidadosas. A despeito de todas estas abordagens alternativas ou suplementares, o método
crítico-histórico permanece em geral ainda dominante na moderna erudição liberal.

manuscrito III

Um dos maiores princípios do método crítico-histórico é o da analogia, isto é, que a história é movida por relações de causa e efeito em que não é permitida
nenhuma causa sobrenatural. Analogia também significa que o passado tem de ser compreendido à base do presente[3]admitido livremente que “o princípio da analogia” é incompatível com a fé cristã”[4]como ele tem estado funcionando no presente.
“Frequentemente o procedimento do histórico[-crítico] do criticismo bíblico tem exigido primeiro a remoção de todas as reivindicações de revelação, e então  imposto sobre todo testemunho a afirmação a priori de que a divina revelação é impossível”, escreve Thomas C. Oden[5], da Drew University.

Esses processos metodológicos revelam que o modelo crítico-histórico é uma metodologia secular em que o novo espírito da autonomia humana[6] permeia todos os aspectos da cultura moderna – as ciências, a filosofia, a teologia, e assim por diante.

Bíblia leituraPara o crítico-histórico de hoje não há nenhum elemento preditivo significativo na profecia bíblica[7]. Se é deixado qualquer aspecto preditivo, ele é apenas uma predição de curto alcance em que o antigo profeta fala acerca do que lhe é contemporâneo ou não posterior às circunstâncias históricas que ele remete[8].

O elemento preditivo de curto alcance não é derivado de uma revelação sobrenatural. A função do profeta não é predizer, mas proclamar. G. Ernest Wright declara isso sucintamente: “O profeta tinha deste modo mensagens para seu próprio povo em seus próprios dias.”[9]

Esta opinião do moderno liberalismo (aqui usado como termo descritivo, não pejorativo), ou criticismo histórico, permite na melhor das hipóteses uma espécie de prognóstico que se baseia nas percepções superiores de um escritor humano, mas não em revelação ou inspiração divina, sobrenatural, em que a real informação é transmitida de Deus para o profeta. Não há nenhuma profecia divinamente concedida no sentido de uma clara predição acerca do futuro próximo ou distante[10].

biblia estudoMuitos cuidadosos estudantes da Bíblia têm corretamente chegado à conclusão de que a interpretação crítico-histórica da profecia é uma reinterpretação do que o texto bíblico realmente diz e reivindica para si mesmo. O método crítico-histórico não toma o texto bíblico ao pé da letra. Trata-o à base das modernas pressuposições de como o escritor/editor do livro bíblico deve ser avaliado em vista das modernas perspectivas e deduções filosóficas[11] .

 

Este método não conduz à fé, em vez disso serve para secularizar os sistemas de crença.

 

Fonte: Gerhard F. Hasel, Ph.D.

Capítulo do artigo: Israel na Profecia Bíblica.

Revista Parousia – 1º semestre de 2007. Unaspress.

[1] Para uma defesa do método crítico-histórico, veja Edgar Krenz, The Historical Critical method, Filadélfia: Fortress Press, 1975.

[2] Para reações cr´ticas e/ou rejeição do método crítico-histórico, veja Walter Wink, The Bible in Human Transformation Toward a New Paradigm for Biblica Study, Filadéfia: Fortress Press, 1973, Gerhard Maier, Das Ende der historisch-kritischen methode, 2ª ed. Wuppertal: Brockhaus Verlag, 1975, trad. Inglesa da 1[ ed. The End of the Historical-Critical Metodh, ST. Louis> Concordia Publisching House, 1974, Gehard F. Hasel, Biblical Interpretation Today, Washington, DC: Instituto de Pesquisas Bíblicas, 1985, ETA Linnemann, Historical Criticism of the Bible, Metrhodology or Ideology? Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1990.

[3] Veja a descrição detalhada deste principio por Van A. Harvey, The Historian and the Believer. The Morality of Historical Knowledge and Christian B\ELIEF, New York, Macmillan Comp., 1966, 69-74.

[4] Idid., p. 15.

[5] Thomas C. Oden, After Modernity…What? Agenda for Theology, Grand Rapids, MI: Zondervan Publ. House, 1990, 126.

[6] Harvey, The Historian and the Believer, 38-67.

[7] Por exemplo, Robert P. Carroll, When Prophecy Failed. Cognitive Dissonance in the Prophetic Traditions of the Old Testament, New York, Seabury Press, 1979, 112-120, Joseph Blenkinsopp, A History of Prophecy in Israel, Philadelphia: Westminster Press, 1983, 19-52, Robert R. Wilson, Prophecy and Society in Ancient Israel, Filadelphia, Fortress Press, 1980.

[8] G. Ernest Wright, Isaiah “The Layman’s Bible Commentaries”, Londres, SCM Press, 1964, 8. Wright fala da “regra do polegar” ou princípio básico da profecia preditiva do seguinte modo: “ A profecia é anterior ao que ela prediz, mas contemporânea com, ou posterior a, o que ela pressupõe.”

[9] Ibidem.

[10] Isto é bem declarado por Klaus Koch, The Prophets. The Babilonian and Persian Periods, Filadélfia, Fortress Press, 1986, 2:73-80, e Wright, 8: “O profeta tinha assim mensagens para seu próprio povo em seus próprios dias. Não estaria dentro da função primária do seu oficio dirigir um outro povo em outro tempo que o seu próprio”.

[11] John J. Collins escreve sobre “a autenticidade das profecias de Daniel” a seguir: “O problema não é se um profeta divinamente inspirado poderia ter predito os eventos que ocorreram…anos antes de ocorrerem. A questão é se esta possibilidade carrega qualquer probabilidade: é esta a maneira mais satisfatória de explicar o que encontramos em Daniel? A moderna sabedoria (histórico) crítica tem afirmado que não é isso”  (Danie, 1-2 Maccabees (Wilmington, DE: Glazier, 1981, 11-12, grifos seus).

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