ESCOLA HISTORICISTA DE INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA


A terceira escola de interpretação profética é conhecida como historicismo. É a mais antiga escola de interpretação das quatro conhecidas no presente. Pode ser descrita como o método histórico contínuo de interpretação profética porque compreende
a profecia bíblica como contínua e consecutiva no que concerne às sequências preditas de impérios e eventos nos livros de Daniel e Apocalipse. As profecias são vistas a desenrolar-se em cumprimento histórico desde o tempo do escritor bíblico até o eschaton, o fim do mundo e a nova criação, sem uma interrupção ou uma lacuna na visão profética.

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O historicismo toma a descrição bíblica de predição profética, não importa que ela
seja de curto ou de longo alcance, ao pé da letra. Segue a descrição bíblica da revelação
divina aos seres humanos (a saber, profetas) em que Deus realmente predisse o que iria acontecer no próximo ou distante (até mesmo muito distante) futuro. A escola
historicista de interpretação não pode existir sem a aceitação da afirmação bíblica
de que Deus tem absoluto conhecimento prévio ou presciência da história e que Ele
tem feito conhecido por antecipação o que ocorreria no futuro.

Daniel 2 - TanakhO historicismo aceita a ênfase bíblica de profecia condicional com relação ao antigo
povo da aliança, ou Israel. As profecias acerca de Israel devem ser cumpridas enquanto
e apenas se Israel permanece obediente à aliança que lhe foi concedida por Deus.
Se Israel deixasse de guardar a aliança, então Deus não seria capaz de cumprir automaticamente
as promessas que lhe fez no passado. Deus permaneceria leal às Suas promessas, mas elas seriam cumpridas com aqueles que lhe fossem fiéis. Esse fiel povo remanescente de Deus não está restrito aos descendentes étnicos de Abraão.
O historicismo tem sido o método de interpretação respeitado por sua antiguidade
pela maioria dos crentes na Bíblia desde o início do cristianismo até o início do século 20[1]. O historicismo, porém, tem encontrado significativos competidores nos outros três métodos de interpretação (principalmente o futurismo) no cristianismo evangélico contemporâneo a partir da segunda metade do século 20.
Tem-se afirmado que o futurismo está “batendo à nossa porta”[2], à porta do historicismo, insistindo para ser recebido. Seu objetivo é modificar, desafiar e, se possível, substituir o método historicista de interpretação profética que tem moldado tão
profundamente o cristianismo em geral e o protestantismo nos últimos séculos.

Fonte: Gerhard F. Hasel, Ph.D.

Capítulo do artigo: Israel na Profecia Bíblica.

Revista Parousia – 1º semestre de 2007. Unaspress.

[1] Veja L. E. Froom, The Propetic Faith of Our Fathers: The Histor5ical Development of Prophetic Interpretation, 4 vols. (Washington: Review and Herald Publ. Assoc., 1946-1954).

[2] Veja o artigo produzido pelo Instituo de Pesquisas Bíblicas e Ellen G. White Estate intitulado “Critique of Give Glory to Him by Robert Hauser” (agosto, 1984).

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