PRINCIPAL CONCEITO NA INTERPRETAÇÃO FUTURISTA


Em contraste com o “historicismo”[1], o “futurismo” baseia-se no método literalista de interpretação dispensacionalista.[2]

Deve ser claramente compreendido que no futurismo o cumprimento profético baseia-se no conceito de que todas as promessas feitas ao antigo Israel são incondicionais e, portanto, devem ser literalmente cumpridas no “Israel natural”. Este literalismo exige que as porções proféticas e apocalípticas das Escrituras se relacionem principalmente com o futuro, isto é, depois do final da presente era ou dispensação da igreja, que representa uma lacuna ou parêntese na profecia.[3]

IGREJA E ISRAEL

Essa chamada “era da igreja” é considerada fora da visão bíblica da profecia.[4] Além disso, a Bíblia é interpretada de tal maneira que a afirmação é reforçada pelos dispensacionalistas-futuristas de que nem o Antigo nem o Novo Testamento têm algo a ver com a igreja. A Bíblia, afirma-se, não toma conhecimento de uma igreja ou o tempo que ela ocupará. Com o suposto silêncio bíblico da dispensação da igreja, toda profecia não-cumprida acerca do antigo Israel e relacionada com ele é projetada para o futuro, porque a igreja não é percebida como sendo a legítima herdeira de qualquer das promessas feitas por Deus no passado.

No futurismo o cumprimento profético deve vir no futuro e deve centralizar-se em torno de Israel como nação.[5] o Oriente Médio, inclusive a vinda de um futuro anticristo e do falso profeta. Um papel significativo é designado à Rússia,[6] e uma literal batalha do Armagedom que ocorrerá na Palestina,[7] e assim por diante.

Fonte: Gerhard F. Hasel, Ph.D.

Capítulo do artigo: Israel na Profecia Bíblica.

Revista Parousia – 1º semestre de 2007. Unaspress.

[1] Veja especialmente as definições providas nas dissertações de Samuel Nunez, “The Vision of Daniel 8: Interpretations from 1700-1900” (diss. PhD, Andrews University, 1987), 10-11; Gerhard Pfandl, “The Latter Days and the Time of the End in the Book of Daniel” (diss. Ph.D, Andrews University, 1990), 5-6, publicadas como The Time of the End on the Book of Daniel “Adventist Theological Society Dissertation Series” (Berrien Springs, MI: Adventist Theological Society Publications, 1992).

[2] Para a finalidade deste estudo não será necessário distinguir entre “futuristas” e “dispensacionalistas” (veja Pfandl, 7-8), porque os últimos são futuristas em perspectiva.

[3] Crutchfield, 244 abaixo, declara: “A maior parte das profecias, e em certo sentido, podemos dizer, todas as profecias, terão o seu cumprimento na expiração da dispensação em que estamos” (Whitings, 2: Prophetic nº 1, 279). Para sóbrias reações e críticas do futurismo de Lindsey, veja George C. Miladin, Is This Really the End? A Reformed Analysis of “The Late Great Planet Earth” (Cherry Hill, NJ: Mack Publi. Co. 1972); T. Boersma, Is the Bible a Jigsau Puzzle…An Evaluation of Hal Lindsey’s Writings (S. Catherines, Canada, 1978) Samuele Bacchiocchi, Hal Lindsey’s Prophetic Jigsaw Puzzle, Five Predictions that Failed (Berreien Springs, MI:Biblical Perspectives, 1985).

[4] C. C. Ryrie, Dispensationalism Today (Chicago: Moody Press, 1965), 156-76.

[5] Veja Charles L. Feinberg, Israel At the Center of History and Revelation (Portland, OR; Multnomah Press, 1980); Walvoord, Israel and Prophecy reimpresso em The Nations, Israel and the Church in Prophecy, 15-133, e muitos outros.

[6] Walvoord, The Nations, Israel and the Church in Prophecy, 103-20, com ênfase na seção “The Nations in Prophecy”.

[7] Pentecost, 340-58, com literatura anterior; Paul Lee Tan, The Interpretation of Prophecy (Vinona Lake, IN:BMH Books, 1974), 349, Hal Lindsey, The Rapture: Truth or Consequences (New York, 1983)>  crítica incisiva de Vern S. Poythress, Understanding Dispensationalism (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1987), 9-11.

 

 

 

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