NOVO LIVRO REVELA: DIPLOMATA HOLANDÊS FOI PUNIDO POR SALVAR JUDEUS DURANTE O HOLOCAUSTO



O Ministério das Relações Exteriores da Holanda repreendeu um diplomata que usou sua autoridade, para salvar milhares de judeus do Holocausto e o privou de receber honrarias reais, segundo relato de uma nova pesquisa.

A pesquisa sobre as ações de Jan Zwartendijk,  que foi cônsul honorário dos Países Baixos, no que hoje é a região da Lituânia faz parte de um livro, publicado este mês, intitulado: “Os Justos”, de Jan Brokken.

Zwartendijk serviu em Kaunas como cônsul ao mesmo tempo em que, Chiune Sugihara, estava lá para representar o Japão Imperial.

Em grande parte, coberto por Sugihara, Zwartendijk foi o facilitador chefe do resgate de mais de 2.000 judeus. Sugihara deu aos refugiados, que estavam fugindo da ocupação alemã, vistos de trânsito que lhes permitiram entrar na União Soviética.  Mas eles teriam sido inutilizáveis ??se Zwartendijk não tivesse concedido vistos de destino a Curaçao, até então uma colônia de ilhas caribenhas da Holanda. Alguns resgatados por Zwartendijk o apelidaram de “o anjo de Curaçao”.


Jan Zwartendijk e Chiune Sugihara

Ambos os homens agiram sem a aprovação de seus superiores. Ao contrário de Sugihara, Zwartendijk arriscou a própria vida, assim como os da esposa e de seus três filhos, todos vivendo sob ocupação nazista.

No entanto, Zwartendijk, que morreu em 1976, foi “agredido” depois que suas ações tornaram-se conhecidas, através de Joseph Luns, um alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores e que mais tarde se tornou o chefe da OTAN, em um livro com entrevistas de pessoas que tiveram contato com Zwartendijk e outros materiais. Os filhos de Zwartendijk disseram que seu pai ficou profundamente ofendido com a forma como ele foi tratado.
nazismo
Sjoerd Sjoerdsma, um parlamentar holandês, disse em um comunicado que o Ministério das Relações Exteriores deveria pedir desculpas por ter tratado mal, Zwartendijk, que foi reconhecido em 1997 como um Justo Entre as Nações, ou seja, um não-judeu que arriscou sua vida para salvar os judeus no Holocausto.

“Jan Zwartendijk merecia uma estátua e não essa repreensão,” afirmou Sjoerdsma à agência de notícias ANP. “Ainda há tempo para uma exoneração e pedido de desculpas aos seus descendentes. Espero que o ministro das Relações Exteriores, Stef Blok, faça isso”, completou.

O ministério recusou-se a comentar se está considerando um pedido de desculpas. Um porta-voz disse à agência de notícias que as ações de Zwartendijk “são sem defeito” e acrescentou que “o Estado holandês co-financiou um monumento que celebrará suas ações na Lituânia”.

O livro também sugere que um funcionário do ministério, não identificado, interveio com a casa real holandesa para impedir que Zwartendijk fosse condecorado por razões não relacionadas à guerra. Ele era um executivo sênior da empresa holandesa de eletrônicos, Philips, e teria “saído da linha” durante a Segunda Guerra Mundial.

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